Tuesday, November 28, 2006

PRESSÁGIO!!

Jorge Quadros

Vejo os vermes a me devorar
Corroendo as minhas entranhas.
E a terra pesada me sufocando
Me tira o ar... As estranhas
Sensações de que eu já não vivo,
Minha carne em decomposição
Serve de jantar para os habitantes
Da escuridão do submundo subsolo...
Mas enquanto vou desaparecendo
Entre o festival de nojentos tapurus
Ainda me resta umas bicadas de urubus
Que me arrancam os olhos...
Ainda assim, vejo a imagem retratada
Da minha inteligência se esvaindo
Por entre o pó que será meu destino...
Meu corpo é apenas um monte
De ossos embranquecidos,
Mas minha cabeça permanece
Atenta ao que me acontece.
Não posso gritar, chorar,
Nem rezar... Só me resta
Dormir para nunca mais acordar...
Ah! A minha vida desastrada
Me foi tirada por uma facada!!!

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