Saturday, December 02, 2006

ANSIEDADE
Poesia inédita de Jorge Quadros

Não, não tenho medo da morte
Mas de como ela deve acontecer...
Aliás, pra quê medo desta infame
Se sei que vou morrer?
E como deve ser?
Só de pensar começo a tremer...
Mas não queria morrer
Sem pedir perdão, sem dar amor
Sem me dedicar ao carinho terno
Para não ter que acariciar
O diabo no inferno!!
Não tenho medo da morte
Tenho apenas pavor de morrer!

Tuesday, November 28, 2006

PRESSÁGIO!!

Jorge Quadros

Vejo os vermes a me devorar
Corroendo as minhas entranhas.
E a terra pesada me sufocando
Me tira o ar... As estranhas
Sensações de que eu já não vivo,
Minha carne em decomposição
Serve de jantar para os habitantes
Da escuridão do submundo subsolo...
Mas enquanto vou desaparecendo
Entre o festival de nojentos tapurus
Ainda me resta umas bicadas de urubus
Que me arrancam os olhos...
Ainda assim, vejo a imagem retratada
Da minha inteligência se esvaindo
Por entre o pó que será meu destino...
Meu corpo é apenas um monte
De ossos embranquecidos,
Mas minha cabeça permanece
Atenta ao que me acontece.
Não posso gritar, chorar,
Nem rezar... Só me resta
Dormir para nunca mais acordar...
Ah! A minha vida desastrada
Me foi tirada por uma facada!!!

AUSENTE!

Jorge Quadros

Rasga a minha pele
expõe as minhas veias
suga o meu sangue
enrola-me em tuas teias...

Fere-me com teu ódio
leva-me à solidão...
envenena-me com tua saliva
corta o meu coração!

embebeda-me com teu néctar
Leva-me ao teu segrêdo...
expõe-me às injúrias
provoca todo o meu mêdo!

faz de mim o que entenderes
descortina-me a alma,
pode sacrificar-me às pressas
Mas faz agora, sem nenhuma calma!

Nenhum pior sofrimento
é como este que sinto agora!
Teu amor me mata sempre
Tua ausência me devora!


DEVANEIOS
Jorge Quadros – 09.06.05

Estou sem destino, sozinho em meus pensamentos,
Que vagueiam sem endereço. Nem sequer adormeço...
Para que o tempo me envelheça e me cubra
De tédio ou me mate de uma vez...
Em cada momento, se esvai a esperança
De que minha vida possa me dar algo diferente
E isso me deixa irritado, doente, inconseqüente.
As mãos tremem, os nervos se abalam,
As horas não passam... Estou destruído.
Perdi a razão, a emoção, os sentimentos...
A ternura não mais me alimenta como antigamente...
Minhas palavras já não são minhas,
Concordo com atitudes mesquinhas,
Sou um verme... Estou fodido.
Lembro das coisas que vivi,
Dos sorrisos que sorri,
Mas as lágrimas que não saem
Mostram meu rosto enrijecido.
Minha gastrite me corrói,
Meu coração estranhamente dói
Por algo que nem sei o que é...
Lamento meus longos minutos
De espera sabe lá por quem...
Tenho que me encontrar
Mas como fazer isso se meus pensamentos torpes
Levam-me para outro lugar?
Queria sair correndo, gritando,
Para que os outros pensassem que sou louco.
E aí minha internação, duraria pouco,
Pois minha morte, companheira inseparável,
À espreita, iria me encontrar.
E no abraço frio, no beijo amargo,
Lembraria-me de ti pela última vez,
Quando nos tínhamos um ao outro
Dividindo o mesmo espaço e o mesmo amor...
Ah! Esse amor que me fugiu pelas mãos
E que se transformou em dor...
Hoje já não sei se é melhor viver sofrendo
Ou morrer te levando comigo no coração...
Entre as duas, prefiro a segunda opção.


Poesias de Jorge Quadros Publicadas no Livro "Momentos de Amor"

CONVITE

Procuro nos teus olhos
O reflexo do meu desejo
E sonho ansiosamente
Com teus beijos...
Mas se estás há tanto tempo
Sem beijar,
Então deixa eu te tocar,
Sugar teus lábios,
Lamber teu rosto
E te fazer carinhos...
Hoje, certamente,
Não quero acordar sozinho!
Olha para mim,
Sente este desejo
Que me invade.
Vamos pra longe daqui
Matar nossa ansiedade!

BRIGAS

Seu corpo está ali, inerte e lindo
Sempre exprimindo desejos e amor...
Somos dois corpos em chamas,
Somos dois corações a sentir dor...

O desejo de tê-la, meu amor, é enorme
Vamos esquecer tudo o que passou?
Pois o nosso amor é superior a tudo
E que somos nós, tudo o que passou.


ÊXTASE

Quando cavalgava com você
À noite passada,
Me sentia o dono do mundo,
Mesmo sem ser dono de nada.


ÍMPETO


Enquanto minhas mãos
Te percorriam o corpo,
Os motivos iam aquecendo
Minhas entranhas...

E por mais estranhas
Que as formas poderiam ter
Mais eu me envolvia
Com os segredos do teu ser.

ADEUS

Tanto que eu sonhei com esta liberdade,
De ficar com você
Num final de tarde...
Mas quando fui
Lhe procurar,
Não me disseram
Onde lhe encontrar...
E, quando enfim
Encontrei você,
Descobri que tinha
Acabado de lhe perder!

DECISÃO

Se eu não tivesse
Que me decidir
Entre eu e você
Diria que seu corpo
É meu berço de Prazer!
Mas como eu
Me amo mais
Que todo mundo
Sou capaz de dizer
Que entre você e eu,

Eu prefiro você!

Monday, November 27, 2006

Transfigurado

Poesia inédita de Jorge Quadros
16/11/06
Estou em coma... viajando pelo além.
Tenho visto o inferno, mas vejo também
Meu corpo inerte... E de terno!!!
Rio de mim mesmo
Como um astro de tevê
E por aí, enquanto viajo
Nem me lembro de você!
É... estou de cama, em coma
Amnesiado de mim
Sabe d'uma coisa?
Preferia ficar assim...
Pois assim, não sinto dor,
Não sinto a morte,Não sinto amor...
Não sinto idade
E muito menos saudade!!!
Estou em coma
E enquanto viajo
Só me vem poesia
Coisa que a vida não oferecia!!!
Mas quando voltar a mim
E me lembrar de você,
Nem mesmo sei o que vou fazer!!
E se permanecer transfigurado
Me deitem de lado,
Assim vomitarei
Em alta voz
O meu recado!